DIÁLOGOS

Ler, ouvir, transcriar

Alison Entrekin conversa com José Gardeazabal sobre o sertão de Guimarães Rosa

17 set 2026


A tradutora australiana Alison Entrekin refez todo o sertão do escritor e diplomata brasileiro João Guimarães Rosa. Reconhecido como um dos maiores romances do século XX, Grande Sertão: Veredas, na tradução de Alison, chega em breve ao mercado editorial de língua inglesa, no ano em que a obra monumental celebra 70 anos. Será publicado com o título Vastlands: the Crossing pelas editoras Simon & Schuster e Bloomsbury.

A efeméride é marcada por outro acontecimento literário. O processo de Alison de desentranhar palavra por palavra, de escavá-las até a sua raiz etimológica ganhou um livro de ensaios, com o título, por ora, When I was Riobaldo.

Alison recusou-se a domesticar a linguagem de Rosa; tampouco limitou-se a reconstruí-la. Deu à paisagem e à sonoridade linguística do livro uma versão em inglês igualmente inventiva. A sua reflexão sobre o próprio ato da tradução - ou, mais precisamente, de transcriação - foi explorada e publicada na Revista Pessoa no início do projeto. A travessia da língua roseana para o inglês levou uma década. 

É sobre essa travessia que Alison, em residência artística na KEF, conversa com o escritor português José Gardeazabal, em Lisboa. A partilha dos desafios que a tradutora-autora encarou, bem como da experiência de mergulhar no imaginário de Rosa, permite o acesso a particularidades da obra não exploradas, tanto na língua de partida como na de chegada.

 


João Guimarães Rosa

 

Alison Entrekin é uma premiada tradutora literária australiana do português para o inglês. Traduziu muitas das obras mais emblemáticas da literatura brasileira, como Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, o romance de estreia de Clarice Lispector, Perto do Coração SelvagemCidade de Deus, de Paulo Lins, e Meu pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos. Em 2019, recebeu o Prémio de Tradução do Primeiro-Ministro de New South Wales e, em 2022, o Prémio de Tradução da Australasian Association of Writing Programs. Entrekin fala regularmente sobre tradução em conferências e eventos literários e seus textos sobre tradução podem ser encontrados na Revista Pessoa, que hoje faz parte do acervo da Universidade de São Paulo. 

José Gardeazabal nasceu em Lisboa, em 1966. O seu primeiro livro de poesia, História do século vinte (2015), foi distinguido com o Prémio INCM/Vasco Graça Moura. Publicou, na Companhia das Letras, os romances Meio homem metade baleia (2018, finalista do Prémio Oceanos), A melhor máquina viva (2020, primeiro volume da «Trilogia dos Pares»; finalista dos prémios Fernando Namora, Correntes d’Escritas e Sociedade Portuguesa de Autores; um dos livros do ano para os jornais Expresso e Público), Quarentena — Uma história de amor (2021, finalista do Prémio Oceanos), Quando éramos peixes (2022, segundo volume da «Trilogia dos Pares»; finalista do Prémio Correntes d’Escritas), A mãe e o crocodilo (2023) e Origami (2024).

 

Ler, ouvir, transcriar
Dia 17 de setembro, às 19h
Centro Cultural Verride: Rua de Santa Catarina, 9, rés-do-chão
Sujeito a lotação