DEBATES

Não é apena geografia

As marcas e os significados histórico e cultural das relações entre Portugal e Gana

09 abr 2025


Em Portugal para uma residência artística na Casa Mísia, a escritora, editora, jornalista e palestrante ganesa-americana Nana-Ama Danquah conversará com a ativista pelos direitos humanos e filantropa Myriam Taylor sobre o projeto que pretende desenvolver durante sua estada no país.

Danquah quer escrever um relato de viagem que documente a influência ganesa em Portugal e seu inverso. “O impacto esperado deste trabalho sobre o leitor é uma compreensão ampliada do intercâmbio cultural que ocorreu entre os povos dessa parte da África Ocidental e os navegadores portugueses que lá estiveram ostensivamente para explorar”, explica.

Conhecida pelo livro de memórias Willow Weep for Me: A Black Woman's Journey Through Depression, a escritora vai partilhar com o público alguns detalhes da sua nova investigação, que parte da emblemática Fortaleza de São Jorge da Mina ou Elmina, construída no século XV pelos portugueses para proteger o comércio do ouro para depois se tornar o maior centro de comércio transatlântico de escravizados na região, hoje Gana, seu país natal. A escritora vai falar também dos motivos que despertaram o seu interesse por Portugal. A família de Danquah emigrou para os Estados Unidos quando ela era criança. Enquanto aprendia espanhol, descobriu semelhanças com sua língua materna. Foi a sua avó que a ensinou que as palavras que ela reconhecia vinham na verdade do português.

Danquah já esteve em Lisboa antes, onde fez um curso intensivo de língua portuguesa, visitou monumentos e conversou com várias pessoas. O resultado foi uma reportagem para a National Geographic intitulada “How Black travelers are reclaiming Portugal”, em que aponta como negros americanos que buscam escapar do racismo em casa estão sendo atraídos pela capital do país, apesar do papel fundador no comércio transatlântico de escravos.

Um possível “retorno” moderno a Portugal que signifique a um só tempo um “reconhecimento do trauma e um passo crucial na cura, uma recuperação da alegria” também será tema da conversa.

 

Dia 9 de abril, às 19h
KEF - rua de Santa Catarina, 9
Sujeito a lotação